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31.12.17

Problema de construção —análise e síntese (9)


De vez em quando vamos acrescentando problemas de construção euclidiana (régua e compasso) usando um outro dos métodos já apresentados seguindo vários autores que foram sendo referenciados. Hoje resolvemos um problema de quadrados a partir da análise das propriedades de quadrados, ângulos, … triângulos isósceles,….

Problema: Construir um quadrado de que é dado um segmento de comprimento igual à soma \;d+l"\; dos comprimentos da diagonal e do lado.


F.G.-M. Exércices de Géométrie…. 6ème éd., J. de Gigord. Paris:1920, Problema 41.

Análise do problema:
Com o problema resolvido, teríamos um quadrado \;[ABCD]\; sendo \;AB=BC=CD=DA=l,\; AC=BD=d.\; Sabemos que as diagonais de um quadrado são perpendiculares se bissetam num ponto e bissectam os ângulos retos do quadrado. Cada uma das diagonais divide o quadrado em dois triângulos rectângulos isósceles. \;ABC, \;CDA\; por \;AC\; e \;DAB, \; BCD\; por \;DB.\;
O que temos é um segmento de reta de comprimento \;d+l = \overline{AC}+\overline{CD}.\; Tomada uma reta qualquer e sobre ela o segmento de reta de extremos \;A\; e \;E\; como uma extensão da diagonal \;AC,\; o vértice \;C\; do quadrado é o ponto que divide \;AE = d+l\; em \;AC=d\; e \;CE=l.\;
Chamemos \;M\; ao ponto médio de \;AE,\; podemos construir um triângulo retângulo isósceles de hipotenusa \;AE\; e catetos \;AF, \;EF\; sendo \;F\; a intersecção da perpendicular a \:AE\, tirada por \;M\, com uma semicircunferência de diâmetro \;AE\;. Este triângulo isósceles é meio quadrado de diagonal \;AE\; Sobre o cateto \;AF\; deste triângulo \;AEF,\; incidirá o vértice \;D\; do quadrado que procuramos. Como \;AE\; é a reta da diagonal \;AC, \;\; CD \parallel EF \perp AF\;


A construção (sintética, a seguir) é sugerida pelas relações desveladas na análise acima feita. Pode segui-la fazendo variar os valores de \;n\; no cursor \;\fbox{n=1,..., 5}.\;



8 janeiro 2018, Criado com GeoGebra


Considerando as considerações acima, podemos apresentar em síntese, os passos da nossa construção bem justificados.

Para \;\fbox{n= 1}:\; a figura apresentada ilustra os dados \;A, \;E,\;AE= d+l, para além do cursor \;\fbox{n=1,..., 5}.\;

Para \;\fbox{n= 2}:\; acrescentamos

  • o ponto \;M\; médio de \;AE\; e a perpendicular a \;AE\; tirada por \;M\; — mediatriz — (recorrendo a \;(A, \;AE). (E,\;EA)),\; por exemplo).
  • o ponto \;F\; numa intersecção \; \displaystyle (\perp_M AE) . (M,\;ME)\; e os catetos \;EF, \;FA\; triângulo retângulo isósceles de hipotenusa \;AE.\;

Para \;\fbox{n= 3}:\; acrescentamos a bissetriz do ângulo \; \displaystyle A\hat{E}F =\frac{\pi}{4}\; que determina o vértice \;D\; do quadrado na sua intersecção com \;AF. \; Como \;CD \parallel EF\; e uma paralela a \;EF\; fará um ângulo da mesma amplitude de \; \displaystyle A\hat{E}F =\frac{\pi}{4}\; sendo ângulo externo do triângulo determinado por estas últimas 3 retas e igual à soma dos ângulos internos a ele não adjacentes e que devem ser de iguais amplitudes —\;\displaystyle \frac{\pi}{8}\; para que os lados opostos a cada um deles sejam iguais, ou seja \; DC=CE\; já que \;C \; é tal que \;AE = AC+CD=d+l. \;

Para \;\fbox{n= 4}:\; acrescentam-se

  • o ponto \;C\; como \; (\parallel_D EF).AM\;
  • as retas \; \displaystyle (\perp_A AF)\; e \; \displaystyle (\perp_C EF)\;
  • o ponto \;B\; como intersecção \; \displaystyle (\perp_A AF) . (\perp_C EF)\;
  • os segmentos de reta \; AB, \;BC, \; CD, \;DA\; como lados do quadrado que procurámos.

Para \;\fbox{n= 5}:\; realçamos o interior do quadrado \;[ABCD].\;      □

28.12.17

Hoje é Dia de Aniversário do GEOMETRIAS


No dia 28 de Dezembro de 2004, publicámos a primeira mensagem neste bloGeometrias, a saber:
A primeira experiência [28/12/04]
Durante estes anos passados, recebemos mais de 1 000 000 de visitas interessadas em construções geométricas e vindas de todo o mundo - brasileiras na sua maioria. Talvez tenhamos servido de ajuda a um ou outro. Pelo nosso lado, fomos estudando geometria básica. Ao longo dos anos trabalhámos com Cinderella, ZuL (CaR), … Geogebra... e fomos sendo abandonados por problemas com servidores, programas e linguagens que a geometria e a teimosia só em parte pôde resolver. Pode ser complicado ver e manipular algumas ou muitas das nossas construções dinâmicas. Não nos é possível rever tudo. Agradecemos agora todas as críticas e sugestões. Outros processos e projectos a que nos ligámos já estão anulados pela passagem do tempo ou abandonados à sua sorte.
OBRIGADO A TODOS OS QUE NOS VISITARAM.
ESPERAMOS TER AJUDADO A PENSAR EM GEOMETRIA BÁSICA DINÂMICA.
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Enunciado do problema (adaptado):

Inscrever numa dada esfera de raio 1 um cilindro de área máxima: que dimensões para o cilindro?

O problema é citado numa carta (10.11.1642)) enviada de Fermat para Mersenne, aqui apresentado como exemplo da potência da notação de Leibniz. Nesta entrada vamos simplesmente ilustrar o problema reduzindo à determinação de um representante dos retângulos de área máxima de entre todos os que podem inscrever-se numa circunferência de raio 1, já que a superfície do cilindro é o varrimento feito pela altura a rodar em torno do eixo a passar pelos centros das bases e, por isso , a sua área é dada por um produto da altura \;h\; pelo perimetro \;2\pi r\; da circunferência base ou seja \;pi b\; se chamarmos \;b\; segunda dimensão da secção do cilindro cortado ao meio longitudinalmente por um plano a passar pelos dois centros das bases.
A 1ª figura( parte superior da janela) apresenta uma esfera de raio 1 e nela inscrito um cano cilíndrico que a atravessa. As bases do cilindro (bocas dos canos) são circunferências de diâmetros variáveis entre zero e dois que é diâmetro da esfera. Apresenta-se também o retângulo - corte longitudinal. E, claro, os valores correspondentes às dimensões de cada retângulo, bem como o valor correspondente à superfície de cada revolução cilindrica - \; \pi .b .h\;.

Na parte inferior da janela, apresenta-se a figura de um círculo máximo da esfera e nele inscrito um retângulo (dimensões variáveis) em que uma delas será diâmetro da base e outra a altura do cilindro (variáveis) Sabemos que \;b: 0 < b < 2\; bem como \;h: 0 < h < 2\; e que \;b^2+ h^2 = 4,\; já que cada um dos retângulos inscritos é dividido em dois triângulos retângulos de catetos \;b,\; h\; e hipotenusa igual ao diâmetro do circulo máximo (ou da esfera). Por isso os pontos \;(b,\; h)\; são pontos de uma circunferência de raio \;2\; e os pontos \;b, bh\; são pontos de uma curva de função \; b \mapsto b.\sqrt{4-b^2} de domínio\;]0, 2[,\; cuja derivada em ordem a \;b\; é b \mapsto \sqrt{4-b^2} - \frac{b^2}{\sqrt{4-b^2}}= \frac{4-2b^2}{\sqrt{4-b^2}} tal que \frac{4-2b^2}{\sqrt{4-b^2}}=0 \Leftrightarrow b=-\sqrt{2} \vee b= \sqrt{2} e, por isso, de entre todos os retângulos, o retângulo que tem área máxima \;2\; de dimensões \;b=h=\sqrt{2}\; é um quadrado.
E o cano cilíndrico que atravesssa a esfera de um metro de raio tem área lateral \;\pi. \sqrt{2}. \sqrt{2}\; m^2 = 2\pi\; m^2\; que é quanto precisa de placa de lata
ou seja, de uma placa de dimensões \;\pi \sqrt{2}\; metros por \;\sqrt{2}\; metros □


Alexander Ostermann, Gerhard Wanner. Geometry by its History. Sprnger, p. 195,196
Cylinder with maximal surface area in a sphere.
Problem: Inscribe in a given sphere of radius \;1\; a cylinder with radius \;y\; and height \;2x\; of maximal surface area.