29.4.13

Como generalizar o teorema de Ceva

O Teorema de Ceva pode ser generalizado? Procuramos dar resposta a essa pergunta nesta entrada, reorganizando os dados e a demonstração para uma generalização óbvia (usando índices).
Retiremos das hipóteses do teorema de Ceva o que é essencial:
  1. Três pontos distintos (vértices de um triângulo) $A_1$, $A_2$, $A_3$ não colineares.
  2. Um ponto P não incidente em qualquer das retas definidas pelos 3 pares de pontos anteriores: $A_1 A_2$, $A_2 A_3$, $A_3 A_1$
  3. Os três pontos $\{B_1\} = A_1 A_2.P A_3$, $\{B_2\} = A_2 A_3.P A_1$ e $\{B_3\} = A_3 A_1.P A_2$ das retas $A_1 A_2, \; A_2 A_3, \; A_3 A_1$.
Se estas condições se verificarem, resulta que $$\frac{A_1 B_1}{B_1 A_2}\times \frac{A_2 B_2}{B_2 A_3} \times \frac{A_3 B_3}{B_3 A_1} = 1$$ Lembramos ainda que a demonstração foi feita usando a igualdade de cada uma das razões simples (do esquema cíclico bem visível na tese) com igualdade de áreas de triângulos, a saber: $$\frac{A_1 B_1}{B_1 A_2} = \frac{[A_1 P A_3]}{[P A_2 A_3]}, \;\; \;\; \;\;\;\;\frac{A_2 B_2}{B_2 A_3} = \frac{[A_2 P A_1]}{[P A_3 A_1]}, \;\; \;\; \;\;\; \;\; \;\frac{A_3 B_3}{B_3 A_1} = \frac{[A_3 P A_2]}{[P A_1 A_2]}$$


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que nos levou naturalmente ao resultado esperado $$\frac{A_1 B_1}{B_1 A_2}\times \frac{A_2 B_2}{B_2 A_3} \times \frac{A_3 B_3}{B_3 A_1} = \frac{[A_1 P A_3]}{[P A_2 A_3]}\times \frac{[A_2 P A_1]}{[P A_3 A_1]}\times \frac{[A_3 P A_2]}{[P A_1 A_2]} = 1$$ já que para cada triângulo do numerador um outro com os mesmos vérices e de igual área aparece no denominador do produto.

Seguiremos este processo para provar que
Sendo $n$ um número ímpar e quaisquer n+1 pontos $A_1, A_2, \ldots A_n$ (dos quais não há 3 colineares} e $P$ que não incida em qualquer das retas $A_i A_{i+1}, i=1, \dots, n-1$, tomados os pontos $\{B_i\}=A_i A_{i+1}.PA_j $ em que $j=i+\frac{n+1}{2}$ (índices módulo $n$, $A_{n+1} = A_1, \ldots$) então $$\Pi_{i=1}^{n} \frac{A_i B_i}{B_i A_{i+1}} = 1, $$ generalização do Teorema de Ceva, conhecida por Teorema de Hoehn.
Trataremos da demonstração na próxima entrada.
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Richter-Gebert. Perspectives on Projective Geometry - A guided tour through real and complex geometry. Springer-Verlag. Berlin: 2011

25.4.13

Projetivamente, o Teorema de Menelaus


[A.A.M.]



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Richter-Gebert. Perspectives on Projective Geometry - A guided tour through real and complex geometry. Springer-Verlag. Berlin: 2011

22.4.13

A partir das considerações sobre o Teorema de Ceva

Na anterior entrada, demonstrámos o Teorema de Ceva ou que
Se um triângulo $ABC$ tem os lados AB, BC, CA sobre os quais tomamos os pontos $X \in AB, Y \in BC, Z \in AC$. Se as retas AY, BZ e CX concorrem num ponto P, então $$\frac{AX}{XB}\times \frac{BY}{YC} \times \frac{CZ}{ZA} =1$$


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Pode deslocar cada um dos vértices do triângulo e o ponto D
Usámos, nessa demonstração, alguns resultados que podemos considerar da geometria euclidiana, mas a invariância da relação estabelecida é claramente projetiva, no sentido de que se trata do produto de razões simples de três pontos colineares e essa invariância é afinal projetiva pois é preservada por transformações projetivas como ilustra a figura dinâmica que se segue.

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Pode deslocar livremente os pontos X sobre AB, Y sobre BC e Z sobre CA e verificar que valores toma o produto $$\frac{AX}{XB} \times \frac{BY}{YC} \times \frac{CZ}{ZA}$$ para as diversas posições desses pontos.
Fizémos a construção considerando um triângulo equilátero e uma transformação projetiva (no caso, uma homologia de centro e eixo conhecidos). Esperamos ainda que verifiquem que o produto daquelas razões simples de ternos de pontos colineares é preservado pela transformação projetiva.

Sabe-se que quando $AY, BZ$ e $CX$ são medianas de $ABC$ equilátero $AX=XB=BY=YC=CZ=ZA$ e obviamente $$\frac{AX}{XB}\times \frac{BY}{YC} \times \frac{CZ}{ZA}=1$$. Bastaria isto e a invariância preservada pelas transformações projetivas como prova projetiva do Teorema de Ceva.
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20.4.13

Teorema de CEVA

Temos vindo a abordar transportes de razões duplas por esquemas cíclicos que envolvem transformações projetivas, particularmente, perspetividades. Os resultados de Armin Saam, que ilustrámos nas entradas anteriores, são muito interessantes. Ficaram por demonstrar.
Teoremas como os de Ceva e Menelaus, por aqui já abordados em entradas antigas, aparecem sempre ligados à geometria euclidiana com recurso a razões de comprimentos de lados de triângulos,… sem nos determos em procurar e revelar a sua natureza projetiva. Temos vindo a seguir Richter-Gebert, que nos revela a natureza projetiva desses teoremas e importância que podem ter para a compreensão das estruturas de outros teoremas de incidência.


Para olhar de novo para o Teorema de Ceva, retomamos a razão simples de 3 pontos de uma reta, $A, X, B$, a saber $$(AXB)=\frac{AX}{XB}$$ em que e $XB=X-B$, depois de escolhido um determinado sentido ou orientação (da esquerda para a direita ou no sentido contrário dos ponteiros do relógio,…). Se $A$ estiver à esquerda de $X$ e este à esquerda de $B$, $AX=A-X < 0 $ e $XB=X-B < 0 $ e logo $(AXB)>0$. Se $X$ estiver à esquerda de $A$, ou à direita de $B$ (fora do segmento orientado de $A$ para $B$), $(AXB) > 0$.
1.


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Na construção acima, começamos por tomar dois pontos $A, B$ e um ponto X sobre a reta $AB$ e uma orientação. Poderá deslocar X sobre a a reta AB e confirmar valores e sinais de $AX$, $BX$ e $(AXB)$ para as diversas posições de $X$.
Também tomamos um ponto $C$ (qualquer, não incidente em $AB$) de modo a verificar que os triângulos $AXC$ e $XBC$, tendo áreas iguais a $$AX\times\frac{h_C}{2} \; \mbox{e} \; BX\times \frac{h_C}{2},$$ a razão das áreas $[AXC]$ e $[XBC]$ desses triângulos orientados é igual à razão simples $(AXB)$: $$\frac{AX}{XB}=\frac{[AXC]}{[XBC]} $$

2.
Na construção dinâmica seguinte, tomamos um ponto $P$ sobre $XC$ entre $X$ e $C$. Sabemos que para cada $X$, há um número real $\lambda$ tal que $X=(1-\lambda)C+\lambda.P$ (sendo $X=P \leftrightarrow \lambda = 1$).


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E podemos escrever $$\frac{AX}{XB}=\frac{[AXC]}{[XBC]}= \frac{[A(1-\lambda)C+\lambda.P)C]}{[(1-\lambda)C+\lambda.P)BC]}=\frac{[APC]}{[PBC]}$$ que pode confirmar na figura dinâmica, deslocando $C$ no plano, $P$ sobre $XC$, $X$ sobre $AB$

3.
Finalmente, na figura abaixo, tomamos os pontos $Y$ e $Z$ de interseção de $AP$ com $BC$ e de $BP$ com $AC$. Claro que, pelo raciocínio análogo ao anteriores aplicados a $X$ que nos levou até $$\frac{AX}{XB}=\frac{[AXC]}{[XBC]}=\frac{[APC]}{[PBC]},$$ podemos garantir que $$\frac{BY}{YC}=\frac{[BYA]}{[YCA]}=\frac{[BPA]}{[PCA]}\; \;\mbox{e} \; \; \frac{CZ}{ZA}=\frac{[CZB]}{[ZAB]}=\frac{[CPB]}{[PAB]},$$


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para, conforme sugere a figura, concluirmos que $$\frac{AX}{XB}\times \frac{BY}{YC} \times \frac{CZ}{ZA} = \frac{[APC]}{[PBC]}\times \frac{[BPA]}{[PCA]} \times \frac{[CPB]}{[PAB]} = 1 $$ Pode verificar que este resultado da invariância do produto das razões de segmentos orientados, uma volta na orientação considerada a começar em A, como fizemos no nosso exemplo, é verdadeiro para um ponto P qualquer: desloque X sobre AB, P sobre XC para um C qualquer não incidente em AB.
4.
Fica assim bem ilustrado o resultado conhecido como Teorema de CEVA, que se pode enunciar como segue:
Se um triângulo $ABC$ tem os lados AB, BC, CA e sobre cada um deles tomarmos respetivamente os pontos $X, Y, Z$ de tal modo que as retas AY, BZ e CX concorrem num ponto P, então $$\frac{AX}{XB}\times \frac{BY}{YC} \times \frac{CZ}{ZA} =1$$
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14.4.13

Teorema de Armin Saam (segunda parte e respetiva ilustração)

Retomemos a construção da entrada anterior e determinemos os pontos {A7}= A6P4.r2, ponto de r2 e imagem de A6 de r1 de pela perspetividade de centro P4. E, sucessivamente, {A8}=A7P5.r3, {A9}=A8P1.r4, {A10}=A9P2.r5 até {A11}=A10P3.r1.
Verifica-se que A11=A1.
De facto, às deslocações de A1 correspondem deslocações de A6 em sentido contrário ao de A1 e, por isso, uma nova volta de perspetividades levará A11 a ocupar a posição de A1
Pode deslocar A1 sobre r1 na figura.


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