Abordámos antes as rosáceas ou grupos de simetria de Leonardo: com um número finito de elementos ou isometrias: reflexões, rotações e suas compostas (ou produtos). Temos claro que duas isometrias do plano são a mesma quando cada ponto do plano tem a mesma imagem para as duas isometrias. Por exemplo, a imagem de um ponto A do plano por uma rotação de centro O e amplitude 45 graus é a mesma que se obtém aplicando uma rotação de centro O e amplitude -315 graus ou a mesma para uma rotação de 360+45, 720+45, ... graus.
Podemos imaginar que as rosáceas têm motivos repetidos indefinidamente, embora sejam finitas as realizações naturais que conhecemos. As isometrias que transformam uma figura (ilustrativa de uma rosácea) nela mesma são em número infinito? São claro. Eu posso aplicar uma rotação de um número indeterminado de voltas (um número infinito de vezes?) a uma figura, obtendo sempre como imagem a figura de que parto. Mas o grupo de simetrias de qualquer rosácea é finito. Por exemplo o grupo cíclico de ordem 3 (da primeira rosácea apresentada) é gerado por uma rotação g de amplitude 120 graus. O produto ou composição g.g ou g2 da rotação de 120 graus de centro dado é uma isometria diferente de g já que a imagem A' de um ponto A qualquer do plano por uma rotação de 120 graus não é a mesma que se obtém por uma rotação g.g ( que roda a imagem A' de A por g de 120 graus, obtendo A''≠A'): aplicar g.g a A corresponde a uma rotação de 240 graus. Do mesmo modo, g3≠g2≠g. Mas sabemos que g3 é a identidade que a qualquer ponto A faz corresponder A e sabemos que g4=g, etc. Como sabemos que g3 é a identidade e que g2 neutraliza a acção de g, já que g.g2=g2.g=g3= Id., o grupo cíclico C3 é constituído por {Id, g, g2}. Os grupos cíclicos Cn têm n elementos (isometrias diferentes) e os grupos diedrais Dn que jogam com uma reflexão s e uma rotação têm 2n elementos (isometrias diferentes).
No caso das rosáceas, há um ponto invariante. Mas as direcções em que se dispõem os motivos que se repetem varia. Vamos abordar, em seguida, os casos dos grupos de simetria dos frisos que nos dão a ver repetições (periódicas - igualmente espaçadas) de algum motivo segundo uma dada direcção. Estes grupos de simetria têm uma infinidade de repetições do motivo, têm uma infinidade de isometrias diferentes, obrigatoriamente têm translações associadas a vectores com a direção em que as repetições acontecem. Estas translações (vetor não nulo) transformam cada ponto de uma reta com a tal direção do friso, num outro ponto da mesma reta. A imagem de tal figura reta é ela mesma, portanto, sem que qualquer ponto se mantenha invariante pela translação.
28.6.11
20.6.11
Novo exemplo de rosácea
A figura da construção seguinte ilustra um grupo de simetrias do tipo D4, composta por um octógono e um dodecágono estrelado concêntricos e com alguns eixos alinhados. Vistos separadamente, teríamos um
D8 e um D12. O número de simetrias da figura é 4=MDC(8,12), como pode confirmar, clicando em "rodar para ver" e deslocando o ponto verde no sentido positivo. Gerado por uma reflexão axial s e uma rotação g de 90 graus de amplitude, D4={Id, g, g2, g3, s, s.g, s.g2, s.g3}
D8 e um D12. O número de simetrias da figura é 4=MDC(8,12), como pode confirmar, clicando em "rodar para ver" e deslocando o ponto verde no sentido positivo. Gerado por uma reflexão axial s e uma rotação g de 90 graus de amplitude, D4={Id, g, g2, g3, s, s.g, s.g2, s.g3}
16.6.11
Outro exemplo de rosácea
Na construção seguinte, a rosácea é constituída por quatro braços vermelhos (sobre as diagonais de um quadrado) e três braços azuis (a partir do centro de um triângulo equilátero para os seus vértices) a partir de um mesmo centro. Poderá clicar no "rodar para ver" e confirmar que há um só eixo de simetria da figura e só uma rotação de volta inteira fará corresponder a figura a si mesma. Tal como se esperava, já que o máximo divisor comum a 4 e 3 é 1. Trata-se, pois, de uma rosácea D1.
14.6.11
Exemplo de rosácea
A construção seguinte ilustra o caso de uma rosácea de tipo D4. A figura é constituída por um octógono com 8 eixos de simetria e 8 simetrias rotacionais geradas por uma rotação de 45 graus e por um quadrado interior com 4 eixos de simetria e 4 simetrias rotacionais geradas por uma rotação de 90 graus. Por terem 4 eixos coincidentes e as 4 rotações do quadrado serem quatro das rotações que transformam o octógono em si mesmo, o grupo de simetrias da figura completa é D4.
Para verificar as simetrias rotacionais, clique no botão rodar para ver e, por deslocação no sentido contrário dos pontos do relógio do ponto verde, pode acompanhar o que acontece com a figura completa.
No caso da construção, repare-se que o máximo divisor comum a 8 e 4 é 4.
Há figuras com octógonos e quadrados concêntricos sem quaisquer eixos de simetria coincidentes?
Para verificar as simetrias rotacionais, clique no botão rodar para ver e, por deslocação no sentido contrário dos pontos do relógio do ponto verde, pode acompanhar o que acontece com a figura completa.
No caso da construção, repare-se que o máximo divisor comum a 8 e 4 é 4.
Há figuras com octógonos e quadrados concêntricos sem quaisquer eixos de simetria coincidentes?
10.6.11
Grupos de Simetria de Leonardo.
Consideremos um conjunto de isometrias do plano, munido da operação produto (ou composição) assim definida: Para cada ponto A, f.g(A)= g(f(A)). Este conjunto constitui-se em grupo se se verificar que (a) o produto de duas quaisquer das isometrias do conjunto é uma iosmetria do conjunto; (b) o produto é associativo; (c) a identidade ou elemento neutro para o produto é isometria do conjunto; e (d) para cada isometria do conjunto, nele há uma outra isometria (sua inversa) que a neutraliza pelo produto.
A qualquer grupo finito de isometrias do plano, para o qual há um ponto que permanece invariante por aplicação de qualquer das isometrias do grupo, há quem dê o nome de grupo de simetrias de Leonardo, de rosácea, de roseta, .... Estes grupos de isometrias em número finito (grupo de simetrias de Leonardo) são constituídos apenas por rotações e reflexões e podem ser de dois tipos. A saber:
A construção seguinte ilustra o grupo D3 que é gerado por uma rotação g, de 120 graus, e por uma reflexão s. Os seus elementos são D3={Id, g, g2, s, s.g, s.g2}
Nota: O grupo D1 é gerado por uma única reflexão.
Ver: Casalderrey, F.M.; A burla dos sentidos - a arte vista com olhos matemáticos. RBA. 2010
A qualquer grupo finito de isometrias do plano, para o qual há um ponto que permanece invariante por aplicação de qualquer das isometrias do grupo, há quem dê o nome de grupo de simetrias de Leonardo, de rosácea, de roseta, .... Estes grupos de isometrias em número finito (grupo de simetrias de Leonardo) são constituídos apenas por rotações e reflexões e podem ser de dois tipos. A saber:
- Um primeiro constituído pelos grupos cíclicos, designados por Cn, gerados por uma rotação cuja amplitude é resultado da divisão de 360 graus por n.
A construção seguinte ilustra o grupo C3 gerado por uma rotação g de amplitude 120 graus, assim constituído: C3={Id, g, g2}, em que Id é a identidade (igual a g3). Pode clicar no botão "rodar para ver" para, deslocando o ponto verde, verificar que as rotações de 120, 240 e 360 graus transformam a figura em si mesma.
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Nota: Verifica-se facilmente que para um mesmo centro, a rotação de +120 graus (sentido directo) é igual à rotação de -240 graus (no sentido dos ponteiros do relógio), que a rotação de 240 graus é igual ao produto por si mesma de uma rotação de 120 graus, etc.
- Um segundo constituído pelos grupos diédricos, que se representam por Dn, gerados por uma rotação e uma reflexão cujo eixo passa pelo centro da rotação.
A construção seguinte ilustra o grupo D3 que é gerado por uma rotação g, de 120 graus, e por uma reflexão s. Os seus elementos são D3={Id, g, g2, s, s.g, s.g2}
Nota: O grupo D1 é gerado por uma única reflexão.
Ver: Casalderrey, F.M.; A burla dos sentidos - a arte vista com olhos matemáticos. RBA. 2010
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