Uma polaridade é uma correlação que transforma um ponto A numa reta a' e transforma esta em A, preservando a incidência.
Dado um triângulo qualquer de vértices A,B,C e lados a=BC, b=AC e c=AB, podemos obter um novo triângulo (polar do anterior) em que a', b' e c' sejam as polares de A, B, C respetivamente (ou em que A', B' e C' sejam os polos de a, b e c respetivamente).
É claro que, sendo A→a'→A; B→b'→B e C→c'→C; A'B'C'→ABC e a'b'c' →abc são projetividades.
Chasles demonstrou que
se ABC e a'b'c' são triângulos distintos e polares um do outro, então são perspetivos.
Dito de outro modo, se as polares a',b', c' dos vértices de um triângulo ABC não coincidem com os seus lados opostos a, b, c, então a.a', b.b', c.c' são pontos colineares.
[A.A.M.]
Seja ABC um triângulo de lados BC=a, AC=b e AC=c. E sejam a', b' e c' as polares de A, B e C. Se a' distinta de a, b' distinta de b e c' distinta de c, estes pares de retas intersetam-se: A
1=a.a', B
1=b.b' e C
1=c.c'
Podemos determinar as polares destes pontos, só considerando a incidência preservada. Por exemplo, como C
1=c.c'=AB.c', a polar de C
1 é (a'.b')C=r.
Para o ponto P=c.b'=AB.b' a sua polar é (a'.b')B=p. Consideremos ainda o ponto a.b'=BC.b'=R.
Como já vimos, há uma projetividade que transforma qualquer pontual C
1APB em AC
1BP e, pela polaridade, AC
1BP transforma-se em a'rb'p que, por sua vez, se transforma em A
1CRB (secção do feixe a'rb'p pela reta a).
Como a projetividade C
1APB → A
1CRB tem um ponto invariante B, a projetividade C
1AP→A
1CR é uma perspetividade. O centro da perspetividade B
1 = AC.PR e, por isso, A
1C
1 incide em B
1.
Fica assim provado que A
1, B
1 e C
1 são colineares.
Isto não funciona se A
1 ou B incidirem em b'.